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(OTIMIZAÇÃO E CONTROLE DE UNIDADES DE CRAQUEAMENTO CATALÍTICO)
1. PROJETO
1.1. PROPOSTA DO PROJETO
O projeto visa o aumento de
desempenho de unidades de craqueamento catalítico para os crus nacionais
através da melhoria das condições de operação do processo. Além disto,
pretende-se desenvolver uma metodologia alternativa com base nos princípios da
Termodinâmica, Transferência de Calor e Mecânica dos Fluídos, que possa ser
utilizada no projeto de novas unidades. Em curto prazo, a nova metodologia
permitirá a aplicação de uma estratégia otimizada de controle para o aumento da
produtividade das unidades instaladas, em particular a maximização da produção
de gasolina e GLP. Em médio prazo, objetiva-se apresentar soluções eficazes
para o aumento da durabilidade de equipamentos pelo desenvolvimento de
revestimento para redução da erosão e corrosão. Em conseqüência, o projeto
também permitirá a redução do consumo energético, melhor aproveitamento de
matéria-prima e maior grau de automação da planta.
1.2. JUSTIFICATIVA DO
PROJETO
Em
termos de modelagem, a alta não linearidade do processo de craqueamento
catalítico exige modelos rigorosos de grande complexidade e fortes exigências
computacionais, que só servem para simulação “off-line” sendo de difícil
aplicação para o controle em tempo real. A justificativa para uma nova
modelagem é (1) reduzir o tempo computacional através de uma metodologia de
elementos de volume (volumes de controle) e (2) a aplicação de um conceito
abrangente, isto é, a geração de entropia, que leva em consideração todos os
efeitos que demandam o uso de energia. Efeitos diferenciados, tais como aumento
de massa de catalizador e aumento de arrasto, por exemplo, são levados em
consideração na mesma base, rigorosa e termodinamicamente correta. A
arquitetura completa de um sistema (e.g., o sistema em análise neste projeto)
será DEDUZIDA da minimização da taxa total de geração de entropia.
Para a melhoria do
rendimento da unidade, será igualmente importante estudar o bico dispersor
(modelagem e proposta de sistemas alternativos) e a formação de coque de
gasóleo pesado no pré-aquecedor.
Em termos de operação, a
experiência dos operadores garante um funcionamento estável do processo, seja
determinando “setpoints” adequados aos controladores, seja informando valores
de controle em modo manual. As exigências de mercado não permitem que
procedimentos de equipes de trabalho diferentes apresentem resultados não
uniformes. Além do mais, em nível de operação manual, dificilmente um critério
de otimização é levado em consideração. Este projeto em nível de controle se
justifica pela necessidade de padronizar os procedimentos operacionais de
controle, tornando a qualidade do produto final independente das equipes de
operação. Além disso, pretende-se gerar um modelo simplificado do comportamento
dinâmico do processo, compatível com estratégias de controle avançado e
aplicável em tempo real.
A
otimização termodinâmica de processos na indústria petroquímica é
freqüentemente limitada pela falha prematura dos materiais que os constituem.
Nesse sentido é de extrema relevância que a modelagem do funcionamento de
unidades de craqueamento catalítico seja acompanhada pelo estudo e otimização
das características dos materiais utilizados. A utilização do crus encontrados
na costa brasileira por si só exige uma otimização do processo de seleção de
materiais. Esta pode ser por sua vez melhorada tendo por base modelos que
permitam reproduzir a tendência do comportamento real do sistema. Sendo assim
podemos subdividir o projeto em cinco tópicos específicos, a saber:
1.
Modelagem e Controle da Unidade de Craqueamento Catalítico
2. Bico Dispersor
3. Formação de coque e Gasóleo Pesado
5. Revestimentos para Altas Temperaturas
1.3. DETALHAMENTO DO
PROJETO POR TÓPICO ESPECÍFICO:
1.
Modelagem e Controle da Unidade de Craqueamento Catalítico
A sigla FCC (“fluidized bed catalytic cracking”) é
uma denominação antiga que ainda persiste, uma vez que anteriormente o processo
era feito em leito fluidizado, mas que atualmente é realizado com tubos de
elevação (“risers”). Existem 3 tipos fundamentais de modelos empregados para a
simulação de reatores de FCC: Tipo I – Modelos
simplificados de fluxo em pistão (“plug flow”); Tipo II – São modelos
semi-empíricos, normalmente descritos como: centro-anelar (“core–annulus”) e Tipo III – Os modelos deste tipo são os
que propõem resolver simultaneamente as equações da conservação de massa,
quantidade de movimento, energia e conservação das espécies para ambas as fases
. É necessário dizer que o equacionamento gerado é de grande complexidade,
tornando os modelos difíceis de interpretar e de resolver, com esforço
computacional muitas vezes proibitivo. Além do que, a modelagem da turbulência
ainda não está bem resolvida, em particular para os sistemas bifásicos e
depende de constantes empíricas para a descrição das interações
interparticulares. Esta proposta está sendo apresentada como resultado
de um esforço conjunto dos PRH/ANP 10 (CEFET/PR), PRH/ANP 24 (UFPR) e da
PETROBRÁS/SIX.
Atualmente, existem grupos de pesquisa no país
desenvolvendo modelos matemáticos para a simulação do comportamento do “riser” de
unidades de FCC. A metodologia consiste na formulação das equações de
conservação na sua forma mais completa. A maior dificuldade em tratar um modelo
matemático complexo é dispor de resultados provenientes de outras abordagens do
mesmo problema, para validação. Além disso, o tempo computacional para obtenção
de resultados de simulações numéricas é elevado, o que torna necessário o
surgimento de uma metodologia alternativa complementar que requeira tempo
computacional reduzido para obtenção de resultados, viabilizando desta maneira
a calibração do modelo mais complexo, além de viabilizar a implementação de
estudos de controle e de otimização em tempo real.
Este
projeto se propõe a resolver o problema de modelamento do funcionamento de
unidades de craqueamento catalítico através do método de elementos de volume. O
método incorpora os mais avançados conhecimentos em termos de equacionamento
dos fenômenos físicos que ocorrem no domínio, através da combinação dos
conceitos teóricos dos fenômenos e de vários resultados experimentais e
correlações fenomenológicas disponíveis na literatura técnica. A diferença
básica da nova metodologia proposta e da mais complexa em desenvolvimento
atualmente por outros grupos de pesquisa, é que o método de elementos de volume
permite a utilização de achados experimentais e correlações fundamentais já
disponíveis em forma analítica. Desta maneira, desde o princípio, o novo método
incorpora no equacionamento básico a hipótese de propriedades uniformes em cada
um dos elementos de volume. Enquanto isso, no sistema, como um todo, a
dependência espacial das variáveis de controle surge com a combinação de todos
os elementos de volume, o que caracteriza o funcionamento real do sistema. Esta
abordagem permite, portanto, capturar a tendência de comportamento real do
sistema (i.e., possibilidade de controle e obtenção de regimes ótimos)
combinando os princípios de Mecânica dos Fluidos, Transferência de Calor e
Termodinâmica irreversível. Ao mesmo tempo, o resultado final é a obtenção de
um modelo físico simplificado que mostra as tendências comportamentais dos
equipamentos, com um equacionamento matemático também simplificado que requer
baixo tempo computacional para a obtenção de soluções numéricas. Isto viabiliza
a validação a luz de medidas experimentais e o ajuste do modelo em tempo viável
na prática.
Para os estudos de controle e de
otimização deve-se incorporar funções de regulação e otimização baseadas em um
modelo viável para tempo real. Esta modelagem deverá representar o mais fielmente
possível a dinâmica do processo, permitindo que cada ação de controle seja
propagada para um horizonte pré-determinado, a fim de validar a qualidade do
controle bem como impor uma dinâmica que satisfaça os requisitos de otimização
e os limites operacionais da planta. A modelagem deve capturar dinâmicas
relevantes para controle, levando em consideração as não-linearidades e as
interações das variáveis do processo FCC entre si e com outras unidades da
planta.
Atualmente, os controladores de
unidades de craqueamento tem seus regimes de operação baseados em modelos de
espectografia de massa propostos na literatura . Estes modelos não se aplicam
ao petróleo nacional que apresenta uma composição química diferente, gerando
problemas de rendimento da maioria das unidades de FCC nas refinarias
brasileiras. Com um controlador preditivo multivariável baseado no modelo
físico simplificado ora proposto, haverá uma maior flexibilidade para acomodar
as variações de alimentação sem que o processo atinja limites críticos de
operação.
A
otimização termodinâmica de sistemas de potência tem uma longa e bem
estabelecida tradição em engenharia térmica. A metodologia se baseia nas leis
da Termodinâmica e no método de análise exergética. O método de exergia mostra
ao projetista como a performance de um sistema se compara com o limite ideal,
as perdas termodinâmicas de cada componente, e o que pode ser feito para
projetar sistemas melhores (menos irreversíveis).
Um método
análogo é o método da minimização da geração de entropia (ou minimização da
destruição de exergia) onde o foco está na minimização,
i.e., na redução da distância entre a performance de um projeto real e a
performance de um sistema ideal “realístico” sujeito às mesmas restrições
físicas de um sistema real . A maneira de aproximar o projeto das condições
termodinamicamente ótimas de operação é através da variação de uma ou mais das
características físicas e de operação do sistema.
A
indústria do petróleo necessita de uma nova metodologia para a determinação do
projeto ótimo termodinâmico (máxima produção de combustível) em seus sistemas e
processos químicos. As metodologias atuais são inadequadas para a otimização
termodinâmica de sistemas complexos, devido a restrições econômicas (alto
custo) nas tentativas de desenvolver múltiplas modificações nos subsistemas,
sem um direcionamento claramente definido, do ponto de vista físico. Como
exemplo, citam-se os métodos numéricos aplicados às equações diferenciais
parciais de conservação, em domínios complexos, com a presença de fluidos
reativos e multicomponentes e diferentes sólidos, ocasionando alto custo e
tempo computacional mesmo para uma única simulação, o que praticamente
inviabiliza o estudo de otimização. O método de análise exergética convencional
estabelece os limites teóricos da performance dos sistemas termodinâmicos,
estuda os sistemas individualmente e, pura e simplesmente determina como sua
performance real se compara com os sistemas de comportamento ideal, i.e., sem
perdas termodinâmicas, porém, por si só, não fornece informação sobre as
possíveis condições de funcionamento ótimo dos sistemas reais. Em suma, as
metodologias atuais disponíveis buscam selecionar o ponto de ótimo a partir de
um grupo de candidatos arbitrariamente selecionados. A nova metodologia, a ser
proposta, deve prover um processo estruturado para sintetizar a configuração
termodinâmica ótima dos sistemas diretamente das leis físicas.
Como um indicador da experiência
dos proponentes deste projeto, vários integrantes da equipe desenvolveram recentemente estudos de
otimização termodinâmica com base no método da minimização da geração de
entropia em diferentes tipos de sistemas físicos .
2. Bico Dispersor
A
literatura especializada internacional ensina, notoriamente, a relação entre a
qualidade da dispersão da carga e os rendimentos de frações nobres como
gasolina e diesel em processo de craqueamento catalítico (FCC). O dispersor de carga de FCC é o dispositivo
responsável pela injeção da carga líquida no interior do reator “riser” onde o
catalizador flui em movimento ascendente. Quanto melhor e mais uniforme essa
injeção for feita tanto melhor será a conversão. O fluxo líquido totalmente
atomizado, com velocidades e tamanhos de gotículas controlados, são alguns
requisitos ligados ao dispositivo dispersor fortemente influentes no rendimento
global de conversão.
3.
Formação de coque e Gasóleo Pesado
A justificativa para este estudo surge da constatação
de fenômenos antagônicos no processo de alimentação da unidade de craqueamento.
Na alimentação do reator, deseja-se pré-aquecer o gasóleo pesado ao máximo para
facilitar sua pulverização no tubo de elevação (“riser”), e assim contribuir
para o rendimento de gasolina e GLP. Entretanto, ao fazer isto desencadeia a
formação indesejada (deposição) de coque na tubulação de alimentação
(pré-aquecedor) que eventualmente levará a interrupção da campanha no momento
que houver obstrução parcial.
O
estudo dos mecanismos de formação de coque vem sendo um grande desafio na
indústria do petróleo. O gasóleo pesado em questão é o do petróleo de Marlim e
Cabíunas. Assim, resultados de estudos semelhantes já realizados com outros
petrólelos não podem ser diretamente aplicados.
4.
Controle Avançado
O controle do processo de craqueamento catalítico apresenta as seguintes características inerentes ao controle dos processos petroquímicos: (1) É um sistema multivariável com dinâmica de baixa ordem, grandes constantes de tempo e atraso de transporte. Essa dinâmica lenta facilita a utilização de controladores digitais com grandes períodos de amostragem e portanto a aplicação de algoritmos de controle avançados. (2) O sistema de controle deve respeitar restrições relacionadas à qualidade do produto, limitações da capacidade do equipamento, limites de segurança de operação dos equipamentos e materiais e também, limites de emissão de poluentes ambientais. (3) A quantidade de energia envolvida afeta o custo de operação do processo viabilizando um esquema de otimização com o objetivo de minimizar a energia consumida. O custo do catalizador determina uma operação com recuperação máxima deste produto no regenerador. (4) A produção simultânea de produtos com valores diferentes de mercado determina um controle de processo que maximize os produtos mais nobres em detrimento dos produtos menos valorizados. (5) Existem severas não-linearidades no sistema de tal forma que um único modelo linear não consegue descrever todas as faixas de operação do processo.
Em conclusão a estratégia de
controle está intimamente ligada ao problema de otimização do processo. A
finalidade do algoritmo de controle é levar as variáveis controladas para os
“setpoints” correspondentes aos pontos de operação ótimos do sistema sem perda
de estabilidade [31-32]. Ressalta-se que os pontos ótimos são relacionados aos
objetivos econômicos do processo. Atualmente e devido a interesses econômicos,
as atividades de controle de processos tem sido bastante intensas
principalmente na indústria petroquímica. O advento da instrumentação digital e
a redução de custo e aumento da capacidade dos computadores, abriram uma imensa
área de aplicação para os algoritmos de controle e otimização, ou seja,
controle avançado. Em relação ao ambiente industrial destacam-se os seguintes
pontos: (1) o problema de controle é normalmente enfocado usando-se
controladores preditivos, baseados em modelos lineares, em grande parte obtidos
de testes na própria planta. Para sistemas com não-linearidades muito fortes,
como é o caso de unidades de craquamento, esses controladores geralmente não
funcionam e não são robustos para grandes alterações nas condições de operação.
Existe um campo de pesquisa bastante significativo nesta área, com a associação
do controle e otimização em um mesmo sistema. O número de varáveis é grande e o
trabalho de implementação do controlador é extremamente penoso, e (2) a
integração da otimização ou controle otimizado é uma etapa complexa e poucas
aplicações industriais são encontradas. A otimização depende de um modelo
rigoroso do processo e mesmo quando a estrutura do modelo está disponível, o
ajuste do modelo ao processo ou a identificação dos parâmetros é um
procedimento que exige quase tanta especialização quanto o próprio
desenvolvimento do modelo . Assim existe grande interesse em se desenvolver
modelos que representem os processo de uma forma aceitável, sem as dificuldades
da modelagem tradicional, ou seja, conforme os princípios físicos-químicos do
processo.
O problema de otimização
da operação dos processos químicos/petroquímicos se caracteriza como um problema
de programação não-linear e não convexa. Nos projetos já implantados na
indústria, ele é resolvido usando técnicas de otimização convexa e portanto
nunca se tem certeza se a solução obtida é global. Também a otimização é feita
em um nível acima do controle preditivo. Os resultados da otimização são
normalmente passados para o controlador via “setpoints”. Algumas soluções
passam também para o controlador informações sobre os ganhos do processo
naquele ponto de operação. A otimização usa o modelo estático do processo,
assim o problema só tem sentido ser revolvido quando o processo atinge o estado
estacionário. Em plantas com alto nível de perturbação esse esquema pode ser
inviável. Mesmo em plantas pouco perturbadas o período de atuação do otimizador
é de várias horas. Aparentemente a otimização usando o modelo dinâmico do
processo é raramente utilizada no industria.
5.
Revestimentos para Altas Temperaturas
A deterioração de componentes em serviço é responsável por elevados gastos na manutenção de componentes que operam tanto em meios agressivos como em meios erosivos. A falha permatura de componentes/materiais impede que resultados otimizados possam ser atingidos, provocando assim uma procura constante por tecnologias e materiais que permitam atingir maiores tempos de vida útil de equipamentos. A indústria do petróleo há muito que recorre à engenharia de superfícies para aumentar a vida útil de equipamentos de processo , sendo que, dependendo do equipamento em questão o seu valor agregado pode ser de até 10 vezes. Hoje o desafio consiste em pesquisar técnicas mais eficientes, em termos de confiabilidade e reprodutibilidade de resultados, que permitam um aumento do tempo de campanha dos equipamentos. Os processos de revestimento podem ser classificados pela forma como afetam o substrato sobre o qual é depositado o material mais nobre. Sendo que a ligação substrato/revestimento pode ser metalúrgica ou mecânica, é de esperar diferentes desempenhos dependendo do processo em causa. O revestimento de materiais recorrendo a modernas técnicas da engenharia de superfícies como a aspersão térmica (ligação mecânica) e a soldagem a plasma por arco transferido – PTA (ligação metalúrgica), tem-se apresentado muito promissor, tanto em ambientes erosivos como em ambientes corrosivos . Considerando a utilização de modernas técnicas de revestimento de superfícies como mencionado, é de extrema importância não perder de vista a sua aplicabilidade em campo. Esta vai depender da facilidade em deslocar o equipamento ou componente até a instalação de revestimento ou vice-versa. O presente estudo tem por objetivo otimizar revestimentos produzidos por soldagem PTA e aspersão por arco elétrico, para aplicação na válvula de controle diferencial da pressão e da parede do ciclone do riser. Neste sentido, duas frentes serão avaliadas: o processo de revestimento e a posterior caracterização dos revestimentos. Quanto aos processos de revestimentos, serão determinados os parâmetros ótimos de processamento, para os materiais hoje utilizados, e analisados materiais alternativos que permitam obter melhores desempenhos com menores custos. Estes revestimentos serão avaliados quanto à presença de descontinuidades, tensões residuais e influência dos parâmetros de processamento na sua microestrutura, e quanto ao seu desempenho em ambiente erosivo a quente .